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Entrevista com Flávio Marinho

O Jornalista, dramaturgo, escritor, roteirista e produtor cultural Flávio Marinho, um dos grandes nomes do Teatro Brasileiro na atualidade, está produzindo uma peça teatral com temática na Medicina do Exercício. A idéia surgiu da sua vivência, como cliente, num Serviço de Medicina do Exercício. Sempre muito bem humorado, o dramaturgo concedeu esta entrevista à SMEERJ.

Você está escrevendo uma peça sobre um Serviço de Medicina do Exercício. De onde surgiu tal idéia?

- Da minha experiência pessoal. Há 3 anos coloquei 2 stents e minha cardiologista – Dra. Ana Elizabeth Pinto – me recomendou que eu procurasse uma clínica médica especializada em medicina do exercício. Caí na Medsport e de lá nunca mais saí.

Como você descobriu que existia, no mercado, este tipo de serviço? Ou seja, a prática de exercícios físicos sob supervisão médica...

- A esposa de um amigo meu me falou da existência da Medsport. Fui até lá, gostei do ambiente e fiquei.

Por que você resolveu se matricular em um desses Serviços?

- Pra não voltar nunca mais pro Pro-Cardíaco... rs rs rs rs rs...

Está gostando? O que você acha do ambiente deste tipo de clínica? E em relação à sua saúde, houve melhoras em sua situação clínica, depois de iniciar o seu programa de exercícios?

- Estou gostando muito. O ambiente é muito curioso: poderia ser algo depressivo (afinal, é uma turma da terceira idade, com problemas cardiológicos, lutando pela vida), mas se você encara a vida de uma forma positiva, pode até se divertir com a situação. A minha saúde melhorou muito. E quem diz isso não sou eu, é a minha cardiologista. Ela já cortou 4 remédios e diz que, se meu estado geral é tão bom, é graças à Medsport.

Existe algum tipo de exercício que você reclama, ou sofre um pouco mais, para realizar (rs rs rs)?

- Reclamo de todos. Como sou autor-roteirista, levei uma vida muito sedentária, sentado á frente do computador. Então, de repente, encontrar a disciplina de me arrumar e sair de casa, diariamente, para fazer exercícios durante uma hora, exige um esforço enorme da minha parte. Acho a esteira particularmente chata, algo em que você anda, anda, mas não sai do lugar. Mas agachar no bosu é a coisa mais difícil que tem. Sem falar no alongamento, que é mortal. Enfim, tudo é um sofrimento. Mas é melhor que voltar pro Pro-Cardíaco... rs rs rs rs...

Uma vez você disse que não gostava da modalidade vôlei devido a um “trauma” de infância... rs rs rs rs...seu pai pedia para você ficar, como uma espécie de mesário, durante os jogos dele na praia, responsável pela marcação dos pontos e vantagens de cada time (isso na época em que o vôlei ainda tinha a vantagem)... e você achava tal função chatíssima... Já fez as pazes com o Voleibol?

- Ainda não. Mas, se, um dia, voltar a praticar algum esporte, será, sem dúvida, o vôlei. Era imbatível no saque. Por algum motivo, ninguém pegava... Agora, não me conformo que a “vantagem” caiu,,, Levei anos pra entender o que era vantagem e, agora, acontece isso...

Como se chamará a peça?

- Academia do Coração.

A peça foi toda inspirada em situações que você presenciou dentro de uma Clínica de Medicina do Exercício? Como surgiram, na sua mente, os cenários, os personagens, as cenas, os diálogos, o enredo etc?

- A peça parte da minha vivência na Medsport. Mas, a partir daí, entra a minha imaginação e cria situações e loucuras não vividas lá. O cenário lembra o que eu conheço, algumas personagens têm uma vaga ressonância com alguns pacientes reais. Agora, cenas, diálogos, enredo, etc, saem da minha cabeça. Quem conhece bem a minha obra, vai detectar uma semelhança de estilo com tudo o que já fiz.

Você começou a sua carreira como Jornalista e Crítico de teatro. Depois se tornou Roteirista e Escritor. A certa altura da carreira, passou a ser também Diretor. E hoje você também é Produtor. O que é mais prazeroso? E o que é mais difícil ou desgastante?

- Para mim, o que é mais prazeroso é escrever roteiro de show. É o que mais curto. Talvez porque envolva música. Uma paixão tão grande quanto o teatro. Já escrever uma peça não é fruto de inspiração, é fruto de muuita transpiração. É trabalho duro, suado, eu me vejo como um carpinteiro de emoções. Enquanto isso, dirigir não é algo que me venha naturalmente. O corpo a corpo com toda uma equipe artística e técnica exige uma segurança que eu, ás vezes, não tenho. É um trabalho de muita responsabilidade, que pede que você esteja atento aos mínimos detalhes. É muito cansativo. Geralmente, emagreço muito quando estou dirigindo. Sou consumido pela tensão e pela atenção. Já a produção exige uma vocação que eu não tenho (vender um peixe que é o teu, dizer que o teu trabalho é maravilhoso), embora eu perceba que tenho o talento para tal função. Sou organizado, perseverante, qualidades fundamentais de um produtor. Mas não gosto de produzir. Talvez por não ser uma atividade criativa e por ser algo muito burocrático.

Na peça Academia do Coração você está exercendo quais funções?

- Sou autor, diretor e produtor. De 2 em 2 anos, faço um espetáculo assim: inteiramente autoral.

Fazer Cultura no Brasil é, sabidamente, muito difícil. Atualmente, quais são os principais obstáculos existentes na produção de um espetáculo teatral?

- São 3: encontrar um teatro disponível (são poucos os espaços do Rio), descolar um patrocínio (nossos departamentos de marketing ainda não são inteiramente profissionais) e fechar um elenco (nossos melhores atores e atrizes têm contratos na TV que os impedem de fazer, também, teatro.)

Você ainda está em fase de captação de patrocínios para a peça, não é verdade? Já conseguiu algum?

- Consegui um: a gloriosa "Bradesco Seguros", que patrocina, sistemática e regularmente, a atividade teatral. Mas ainda preciso de, pelo menos, mais um. Hoje, uma produção teatral tem muita despesa de manutenção: aluguel do teatro, os anúncios da mídia impressa e o salário dos técnicos. E o que entra na bilheteria não cobre essas despesas. Portanto, são precisos dois patrocínios; um para levantar o espetáculo e outro para mantê-lo em cartaz.

Caso alguma empresa tenha interesse em patrocinar o espetáculo, como pode entrar em contato com a sua Produtora?

- através do e-mail do meu diretor de produção: Fábio de Oliveira. fabiooliveira@uol.com.br

Flávio, obrigado pela entrevista. Nós da SMEERJ esperamos que a peça seja um grande sucesso e estamos torcendo por você e pelo seu trabalho.

- Grande Abraço.