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Artigos de Opinião / Entrevistas

Neste mês, convidamos o Dr. Marco Aurélio Moraes, Cardiologista e Especialista em Medicina do Exercício, para emitir a sua opinião sobre o tema: Atividade Física e Insuficiência Renal.

O paciente com doença renal crônica, em especial aquele que se submete a tratamento por diálise, é um indivíduo que apresentará um quadro clínico singular, caracterizado por complicações diversas como anemia, doenças cardiovasculares, má nutrição protéico-calórica, infecções, comprometimento ósseo e perda muscular.

Dentre as doenças cardiovasculares destacam-se a doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão arterial e morte súbita, esta última causada por arritmias graves, secundárias a lesões estruturais, distúrbios hidroeletrolíticos, disfunção autonômica e uremia.

Convém ressaltar que a utilização regular de eritropoetina (para correção da anemia), suporte nutricional adequado e vacinação para prevenção de infecções mudaram significativamente, e de maneira positiva, o prognóstico deste grupo de pacientes. Porém, tais medidas não mudaram a história natural de risco cardiovascular e não melhoraram o perfil osteomuscular destes pacientes.

No intuito de reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida do paciente com doença renal crônica, o exercício regular passou a ser uma alternativa fundamental, e sua prescrição vem sendo cada vez mais sugerida aos nefrologistas.

A atividade física poderá ser supervisionada ou não, dependendo da necessidade do paciente. Pode ser feita durante a sessão de diálise ou nos dias entre as diálises, e deverá contemplar os componentes básicos de um programa de exercício, isto é, atividade aeróbica (bicicleta e/ou esteira), musculação e flexibilidade (associado a atividades de coordenação e equilíbrio), quando possível. Convém ressaltar que o exercício prescrito nos dias entre as sessões de diálise permite maior complexidade de treinamento, além de ser mais comumente sugerido, por sua maior disponibilidade.

De acordo com estudos atuais, a atividade física aeróbica, seja na esteira ou cicloergômetro (bicicleta), com uma freqüência de 2 a 3 vezes por semana, demonstrou melhora da capacidade funcional e da função cardíaca, redução do risco de morte súbita. Tais achados foram semelhantes quando este treinamento foi durante ou entre as sessões de diálise.

Alguns estudos também demonstraram que apenas o exercício de força muscular era capaz de melhorar a força e resistência muscular, assim como a capacidade funcional destes indivíduos, mesmo quando estes não eram capazes de realizar atividade aeróbica associada.

Dr. Marco Aurélio Moraes
Especialista em Cardiologia e Medicina do Exercício
Ergometrista do HSE
Professor da Pós-graduação em Medicina do Esporte da UVA
Sócio-Diretor da Vitacor
Membro da Diretoria da SMEERJ
Membro da Câmara Técnica de Medicina do Esporte do CREMERJ

Bibliografia:

1) Artif Organs 2002; 26 (12): 1009-1013
2) Effects of Exercise Training on Noninvasive Cardiac Measures in Patients Undergoing Long-Term Hemodialysis: A Randomized Controlled Trial. Am J Kidney Dis. 2009; 54: 511-521.
3) Randomized Controlled Trial of Intradialytic Resistance Training to Target Muscle Wasting in ESRD: The Progressive Exercise for Anabolism in Kidney Disease (PEAK) Study. Am J Kidney Dis. 2007; vol 50, nº4: 574-584.